# 40 - Gente fina elegante e sincera

NÃO julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.“ Jesus conforme Mateus 7

O problema maior que ninguém consegue ver nestas palavras de Jesus é que pior do que viver julgando os outros é nunca julgarmos a nós mesmos com bom senso e a tradicional sobriedade do evangelho.

As duas primeiras frases deixam claro que o juízo é um bumerangue que vai e volta. Iniciar este processo sobre os outros acarreta numa rotina quase infinita de juízos de uns para com os outros, sendo assim, todo mundo acaba julgando a todo mundo e ninguém consegue ter tempo para julgar-se a si mesmo.

O conselho de Jesus esta totalmente focado e centrado em cada indivíduo, posto que cada um deve julgar-se a si antes e na mesma medida com que deseja julgar o outro! E isso para ajudar! Para tirar traves e ciscos a fim de que andem. O grande mal de não fazermos assim, é que nunca enxergamos o real e verdadeiro motivo de quase todos, senão todos os nossos problemas e ainda perturbamos a vida alheia.

O pior de tudo é que os juízos em nosso meio, normalmente são frutos de normas-doutrinas-leis-costumes-morais-religiosidades de homens, que nada tem a ver com o evangelho do reino de Deus. Quando Jesus foi indagado sobre as transgressões de seus discípulos, que quebravam as tradições religiosas conforme viviam seus ensinos; o mestre disse aos julgadores-oficiais-religiosos:

Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, preferem a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. Bem invalidais o mandamento de Deus para salvarem a vossa tradição. Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pai ou a mãe, certamente morrerá. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor; Nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, Invalidando assim a palavra de Deus por causa de sua tradição, que vós mesmos vos ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.” Jesus conforme Marcos 7

A partir desta exortação particular, pois os repreendeu no íntimo, ele começa a ajuntar o povo para poder ensinar-lhes o oposto do que se é visto no curso natural da sociedade e suas espiritualidades místicas. O mal está dentro e não fora de nós!

Ouvi-me vós, todos, e compreendei. Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.“ Jesus conforme Marcos 7

Não emitir juízos sobre os outros analisando-se a si mesmos, é algo tão importante para a saúde da alma que Paulo viria a dizer anos depois: “Cada um Julgue a si mesmo”. Mesmo Jesus tendo dito tudo de forma tão clara, nítida e simples, as pessoas não entenderam e ainda hoje não entendem. Jesus teve ainda que continuar a explicar aos seus discípulos sobre isso, afinal eles pensavam que fosse tudo uma parábola, embora jesus falasse claramente de casos reais entre os judeus.

Depois, quando deixou a multidão, e entrou em casa, os seus discípulos o interrogavam acerca desta parábola. E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas? E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.” Jesus conforme Marcos 7

Enquanto não pararmos de olhar para os outros e nos enxergarmos a nos mesmos, seremos sempre crentes fracos bebedores de leite espiritual que vivem para julgar outros e perder tempo com listinhas maniqueístas de “pode não pode” ou “coisas de Deus e do diabo”. Quem quiser ser forte que pare de olhar para os outros e sonde-se em Deus, com bom senso e sinceridade.

A maior fonte de problemas é o nosso coração e não porque somos humanos, mas sim porque somos desumanos, ao ponto de fingirmos que não temos um só para julgarmos os dos outros!O que quero é despertar você para uma auto-análise sincera e crítica a cada dia. Uma metanóia, uma renovação de entendimento diário para que possamos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Quando inciar este processo de sondar-se a si mesmo eu creio que o que você verá será libertador:

Seu inimigo maior não é o diabo, posto que ele é vencido por Deus mediante a fé e não por nossa força!

Seu inimigo maior não é o mundo, posto que ele só te derruba naquilo que você mesmo é fraco!

Concluindo assim, creio que todos passarão a entender o que Tiago dizia, que somos derrubados pelas tentações que somente são tentações devido nosso gosto por elas, de modo que nós só pecamos por causa do que temos dentro de nós! Nossa cobiça é o que nos mata! Quando enxergarmos isso, começaremos a entender melhor a nós mesmos e saberemos determinar melhor nossos limites e assim pecaremos menos, de tal maneira, estaremos enfim tirando a trave do nosso olho!

Somente assim, entenderei que realmente é melhor não julgar ninguém e ir me julgando a mim mesmo a cada dia e para sempre! Assim estarei em constante estado de mudança, crescimento e melhoria como o apóstolo dizia: Aperfeiçoando a salvação.

Me julgo não para me salvar ou condenar, mas pare me conhecer e enxergar!

Eu sou meu maior diabo!

Eu sou meu maior pecado!

Eu sou o único culpado por tudo!

O diabo e o mundo ficam me tentando naquilo que eu sou fraco, mas se eu ao invés de entender isso pela via da boa consciência, ficar a todo momento dando uma de Adão, projetando a culpa nos outros e nunca me assumindo enganado como Eva, vou continuar nessa vidinha sem vida, nessa existencia "evangélica".


Chega de comer do fruto proibido do conhecimento do bem e do mal!

Chega de pensar que sabemos de tudo e que podemos julgar o certo do errado!

Chega de emitirmos juízos sobre os outros e passemos a nos enxergamos em nós mesmos!

Chega de não ver as traves em nossos olhos por causa da tara no cisco dos outros!

Chega de sermos fracos no entendimento e prossigamos para alvo!


Quem se enxerga toma vergonha na cara

Quem toma vergonha na cara muda de atitude

Quem muda de atitude se renova

Quem se renova prova e experimenta a vontade de Deus,

No caminho! Na verdade! E pra vida!


Desejo que todos parem de agir como se tivessem comido o fruto do conhecimento do bem e do mal, pois com tal presunção vocês nunca serão terra fértil para que esta árvore brote em vocês de verdade e este fruto venha naturalmente sendo gerado em vós, de modo simples, amoroso e gradual.

Por hoje quero apenas relembra-vos que o forte se fortalece na vida, onde se manifesta as nossas fraquezas e que somente por serem manifestas, serão vencidas no poder de Deus! Se esconder é morte certa e pior,:assassinato! Afinal quem se esconde de si, acaba não tendo pra onde olhar,alem do próximo, que deixa de ser próximo em amor e vira a próxima vítima.

Acerca dessas coisas tenho ainda muito o que vos falar, coisas difíceis, porque vos tornastes negligentes no ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e estão fracos de tal modo que necessitais de leite, e não de alimento sólido. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os fortes, os quais, em razão da prática, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” conforme Hebreus 5

O discernimento entre certo e errado só se faz dentro de nós mesmos, nas câmaras ocultas do coração; de modo que precisamos prosseguir experimentando o evangelho em práticas de amor, para que tenhamos nossos sentidos, discernimento e entendimentos exercitados e aptos para melhor compreendermos tanto o bem quanto o mal. Assim sendo, sem desobedecermos a Deus, iremos sendo transformados conforme a imagem dele, naquilo para o qual fomos amados, escolhidos, salvos e chamados para sermos nEle. Santos libertos!


Viva a vida em Deus e se deixe ensinar por Ele nela mesma!

Pense nisso tudo e veja este video e ouça esta música, vai te ajudar!!!




Fiquem com Deus, o único que não nos julga para nos ensinar a nos julgarmos a nós mesmos, até o dia do juízo!


PEP

22/08/09



# 39 - Prisioneiros libertos




"Num reino distante, 3 homens foram presos e passaram 25 anos presos em celas solitárias em subterrâneos sombrios. Foram anos de solidão, comida ruim, silêncio, esquecimento, tédio, angústia, desespero e horror. Seus nomes foram esquecidos e suas histórias apagadas da própria história do reino.

Quando não tinham mais esperanças de liberdade, os presos foram surpreendidos quando as portas das celas foram abertas e soldados simplesmente lhos anunciaram que um rico rei estrangeiro havia pago uma grande fiança pela liberdade deles. Embora a notícia fosse estranha e inusitada, os 3 presos ficaram felizes e partiram para a liberdade tão sonhada por anos.

Conquanto sempre tenham sonhado com a liberdade, os 3 nunca pensaram em como seria a reentrada no mundo exterior, e neste momento, no primeiro segundo de liberdade, suas mentes foram poderosamente esmagadas pela realidade assustadora da liberdade.

A liberdade para quem viveu preso por anos causa Vertigem

Cada um deles seguiu um caminho diferente e nunca mais se viram, toda via o final de suas histórias se tornou conhecido por mim e lamentavelmente eu preferia que assim não tivesse sido!

Ao se ver do lado de fora da prisão, o Primeiro, se assombrou pela quebra da monotonia segura de sua vida carcerária medíocre. O que eu vou fazer pra sobreviver? Onde vou morar? Quem vai cozinhar pra mim? Quem vai garantir minha segurança? Estas eram perguntas que perturbavam seu juízo e num surto de desespero o homem voltou para a prisão! Desesperadamente implorou para ser aceito na cadeia novamente! Preferiu continuar preso do que encarar a liberdade e suas implicações, tais como: Tomar decisões, escolher seus caminhos, responsabilizar-se por suas atitudes e viver a vida livre pra voar!

Assim sendo, a liberdade do primeiro não durou nem um segundo. Ele mesmo preferiu viver preso, limitado, encarcerado, debaixo de jugo e opressão, mais do que livre. Talvez o tal rei se entristecesse ao ver sua oferta de liberdade sendo desprezada como lixo.

O segundo homem não se assustou com a liberdade quando a experimentou! Ao contrario do seu colega, ele passou vários dias vivendo a vida regaladamente como se cada dia fosse o último. O problema foi que 25 anos de solidão o tornaram tão indignado que ao se notar livre, Desejava tanto aproveitar essa liberdade que se esquecera de que existiam outras pessoas livres! Neste frenesi de gozo e desejos intensos acabou pisando nos sentimentos de outras pessoas; infringiu leis, atropelou a liberdade de terceiros e acabou extrapolando os limites de sua liberdade por causa de um egoísmo sem igual.

O fim deste segundo homem foi triste e solitário como o do primeiro. Imagino como o rei estrangeiro se arrependeria de te-lo libertado ao saber dos grandes estragos que ele causara aos outros e de como se tornara escravo de si próprio e de seus desejos!

O primeiro homem conheceu a liberdade e preferiu a prisão!
O segundo homem conheceu a liberdade e a transformou em perdição!
Nenhum dos dois conseguiu ver alem do que seus olhos viam!
Eles haviam sido libertos e suas culpas esquecidas!

Não falei do terceiro homem ainda, pois este ainda não teve um fim. Posso no entanto dizer que ele não temeu a liberdade voltando pra cadeia, nem tão pouco tomou ocasião da liberdade para quebrar todas as leis e limites lhe impostos pela vida. O terceiro tomou outro caminho: Conhecer o rei estrangeiro que inexplicavelmente lhe abençoara com o pagamento da fiança e o perdão de seus crimes do passado.

Foram dias na estrada procurando pistas e seguindo o rastro deste misterioso e oculto rei. O terceiro homem ficou tão maravilhado com a bondade de tal rei estrangeiro que não pensava em outra coisa a não ser agradecer-lhe o favor, mas sua frustração foi não conseguir encontra-lo em nenhum dos caminhos que trilhou. Decidido a manifestar gratidão, o terceiro homem começou a pensar no que poderia dar de presente ao rei quando o encontrasse de fato.

Ao observar o curto tempo de liberdade do primeiro, decidira que nunca abriria mão de sua liberdade e jamais se recusaria a encarar a realidade da vida, sendo ela boa ou má.

Ao observar a vida libertina com que o segundo se arruinou, decidira que nunca tornaria sua liberdade em algo pior do que seu tempo de prisão e que jamais desrespeitaria a liberdade dos outros ainda que isso lhe causasse algum dano.

O terceiro homem viveu mais 50 anos, sem nunca encontrar com o seu libertador, por isso, mesmo sem poder agradecer pessoalmente ao rei, o terceiro dedicou seus anos de vida à ajudar as pessoas e a fazer à elas o bem que pretendia fazer ao tal rei. Ajudando os outros a se verem livres de suas cadeias ele experimentava novamente a alegria que sentira ao ser liberto dos seu calabouço!

A cada situação onde ele libertava alguém de suas próprias cadeias se via como o tal rei e sabia que essa alegria não era por se sentir uma boa pessoa, mas por se sentir parecido com a boa pessoa que um dia o libertou!

Hoje este terceiro homem continua em busca do rei amoroso e misterioso, sempre perseverante em imita-lo em todos os seus caminhos pelas estradas da vida. Obteve algumas dicas, percebeu algumas caracteristicas do rei através de sinais e o conheceu um pouco melhor, chegou perto dele algumas vezes, noutras se afastou, mas mesmo sem o ver com os seus próprios olhos, ainda sente arder em seu coração a certeza de que um dia irão se encontrar e então poderá lhe dizer tudo o que sente e devotar toda sua gratidão com reverente alegria.

Enquanto isso, o terceiro continua sua peregrinação pelos caminhos da existência sem parar...
a não ser para escrever esta pequena história."

Fiquem com Deus, ao exemplo do terceiro!

PEP